Conforme a narrativa dos índios, em tempos de seus ancestrais, existia a Wazaká, a “Árvore da Vida” ou a “Árvore do Mundo”, que ainda era desconhecida de todos, por isso Makunaima e seus irmãos estavam passando fome.

Somente Akúli (a cutia) estava sempre bem alimentada. É que Akúli havia encontrado a árvore Wazaká, que estava carregada de todas as frutas boas que existem nesta região. Mas ele não contou nada sobre a árvore para os demais e comia as frutas boas e trazia as imprestáveis para os outros.

Makunaima ficou desconfiado e um dia levantou os lábios de Akúli, enquanto ele dormia, e encontrou um grão de milho entre os dentes dele. Makunaima mandou vigiar Akúli para descobrir de onde vinha a comida.

Certo dia, eles seguiram Akúli e descobriram a árvore Wazaká. O irmão mais velho, Jigué, disse aos irmãos que comessem apenas as frutas que caíam no chão, mas Makunaima não concordou e derrubou a árvore, com raiva.

Conforme a lenda, Monte Roraima surgiu do tronco da Wazaká. A árvore caiu para o norte, e é por isso que há diversas frutas silvestres naquela região, onde fica a Guiana. O toco da árvore se tornou o Monte Roraima, o gigante místico que conhecemos até hoje.

“Makunaima então levantou um pouco o cesto e começou a jorrar muita água de dentro do toco, que era a seiva da Wazaká,
formando os grandes rios que temos hoje no Estado de Roraima.”

O monte tem 2.734 metros de altitude e está localizado entre Gran Sabana (Grande Savana) da Venezuela e o Parque Nacional do Monte Roraima, do lado brasileiro.

Depois de derrubada a Wazaká, a “Árvore da vida”, Jigué cobriu o toco da árvore com um cesto, e de lá saíam muitos peixes, os quais existem nos dias atuais. Makunaima então levantou um pouco o cesto e começou a jorrar muita água de dentro do toco, que era a seiva da Wazaká, formando os grandes rios que temos hoje no Estado de Roraima.

Ninguém mais conseguiu conter a enchente. Makunaima e Jigué plantaram duas árvores de inajá e subiram nelas para esperar as águas baixarem. Jigué reclamou que as frutas do inajá não tinham gosto.

Então, Makunaima pediu uma fruta ao irmão, deu uma dentada nela e a esfregou em seu corpo para que ganhasse um gosto. Depois a devolveu a Jigué dizendo: “Experimenta agora”. Então, até hoje a árvore de inajá dá frutas na época das chuvas.

 

 

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