RORAIMA ADVENTURES

EXPEDIÇÃO GUACHERO foi como quisemos denominar a recente aventura vivida nas alturas do Monte Roraima.

A porta de entrada da viagem foi aberta pela Roraima Adventures, empresa fundada em 2002 e capitaneada pelo habilidoso Magno (seu nome já diz tudo!) e sua equipe. Ética, competência, profissionalismo, responsabilidade e muita ternura, são ingredientes que os fazem ser um diferencial no mercado do turismo de aventura.

Pra início de conversa posso dizer que o fascínio tomou conta de mim! Beleza, imensidão, superação, aventura, emoção, plenitude, temor… são alguns sentimentos experimentados nos seis dias de expedição que se deu na companhia de outros aventureiros que resolveram – como nós – iniciar o ano no alto, nas alturas! E a companhia não poderia ter sido mais acertada e agradável; aliás, foi saudável, divertida e enriquecedora! Éramos mais que sete; quatorze ao todo!

Vale ressaltar que esta modalidade de trekking conhecida por “caminhada de longo curso” é voltada para pessoas dispostas a conviver com imprevistos e baixos níveis de conforto, ou seja, o trilheiro tem pouco a opinar: são as circunstâncias climáticas e as características da trilha que ditam com soberania o vai acontecer a cada dia! Resta, então, a sua adesão irrestrita às vicissitudes que podem chegar regadas à chuva, sol ou vento, porque sombra quase nunca tem.

As exigências feitas para esta trilha são apenas de boa saúde e bom condicionamento físico; sem estes componentes o apuro é certo, mas pode se tornar grave. Alerto que roteiro roraimense tem grau médio de dificuldade, mas eu acrescentaria médio-alto não para assustar, mas simplesmente para prevenir os interessados em se deliciar com esta aventura! Não é por outro motivo que o candidato deve assinar um Termo de Conhecimento de Riscos!

A esta altura, o que é mesmo o Monte Roraima? Vamos lá! É um dos lugares montanhosos mais antigos do planeta, estima-se que tenha se erguido há mais de 2 bilhões de anos. Localizado ao Sul da Venezuela (com acesso escalável) na chamada Serra de Pacaraima, ao Norte do Brasil e a Oeste da Guiana, constitui a chamada tríplice fronteira. É considerado a sétima maior formação rochosa brasileira, medindo 2.739,30 metros de altitude, com 116 mil. O interessante é que seu topo é plano, parece até uma mesa de banquete! O trajeto da base ao cume leva usualmente de dois e três dias e é adornado de rios, riachos, cachoeiras, flores e pedras, muitas pedras. A temperatura na base é em torno de 17ºC e no trajeto até o topo varia de 10ºC a 03ºC. A umidade é de 80%.

O acesso brasileiro se dá por Boa Vista (atentem para o nome!) pela BR 174 até Santa Elena de Urairén, num percurso de 300 km em estrada boa e asfaltada. Aí se faz o registro de entrada na Venezuela (nas mãos precisa ter passaporte e cartão de vacina internacional contra febre amarela). Depois da liberação, num veículo 4×4 e por razões óbvias, se pega mais 68 km até uma entrada da vicinal que conduz à Comunidade Indígena de Paraitepuy, localizada no Parque Nacional Canaima. Nesta ocasião, antes do início da caminhada, pode-se contratar o serviço de um índio da aldeia para o carregamento da mochila a fim de reduzir o inevitável desgaste físico.

No primeiro dia, o trajeto até o acampamento, no Rio Tek, é de quinze quilômetros e dura cerca de 5 horas. Provavelmente o trilheiro será acolhido por “pihuns” (prefiro chamar “pimils”!!!). É uma espécie de mosquito miúdo e incômodo! Sabendo disso, quando os anfitriões vieram na minha direção, eu os alertei com veemência: “tenho sangue com validade vencida e impróprio para consumo”. Comigo deu certo, mas infelizmente nem todos tiveram a mesma sorte e ficaram com pernas, braços e pescoço bastante empelotados! Constatamos que o repelente Exposis parece ser o mais adequado para afugentar os tais mosquitos! Na parte da tarde sobrou tempo para fotos, banho no rio e entrosamento, além da alimentação que foi sempre deliciosa e de primeira categoria!

O segundo dia começou com café da manha e por volta das 8h, com o acampamento já desfeito, todos rumamos em direção à base da montanha. O percurso, de apenas oito quilômetros, passa a ter a duração de 4 a 5 horas! O nível de dificuldade aumenta em razão de ser 70% em subida. O esforço exigido é dobrado! No caminho nosso grupo não hesitou em largar as mochilas e deliciar-se nas águas límpidas e geladas do Rio Kukukenan. Este acampamento em razão da chuva estava encharcado e por isso para alguns a estadia não foi das melhores!

O terceiro dia da expedição é marcado pela subida ao topo. A trilha de aproximadamente quatro quilômetros e meio tem a duração de pelo menos cinco horas. No nosso caso foi bem mais longa, pois se deu em meio à chuva gelada, vento forte e muito frio! Deparamo-nos com trechos tão íngremes que chegavam a exalar perigo; a sensação de insucesso nos rondou. Em contrapartida degustamos um cenário espetacular: rochas colossais margeavam nossa subida em meio a orquídeas e principalmente bromélias de várias espécies; pássaros nos brindavam com cantos espetaculares e os riachos e as pequenas cachoeiras apaziguavam o cansaço extenuante com sua sonoridade peculiar! Depois de sete horas de luta e esforço, chegamos ao cume! Que festa! Antes do jantar, na escuridão do abrigo, celebramos a conquista com uma maravilhosa pinga envelhecida, temperada com quatro laranjas e servida numa caneca plástica alaranjada que circulava cadencialmente entre nós a fim de que cada um desse a sua ‘bicada’. A iniciativa, além de nos aquecer do frio e nos preparar para uma merecida noite de repouso, reforçou nossa amizade.

Quando o sol despontou no horizonte, por volta das cinco da manhã, alguns optaram por abandonar as barracas e rumar para a parte de cima do abrigo a fim de contemplar o espetáculo matinal. Saltitando de uma rocha para outra não nos contínhamos em apreciar tanta beleza. No retorno, o café já estava servido, acompanhado de um maravilhoso cuscuz, servido com salsicha e ovo mexido. Hummmmm que bom!

No quarto dia de expedição a tropa foi dividida em dois grupos. Os mais habilitados fisicamente seguiram para a visita ao Vale dos Cristais, El Fosso e Ponto Triplo, num percurso de aproximadamente 20 quilômetros de caminhada. Os demais fizeram uma excursão não tão desgastante fisicamente, mas coberta de esplendor. Visitamos o ponto mais alto da montanha denominado Maverick, uma cadeia de montanhas chamada Catedral (ao lado de uma majestosa cachoeira), a La Ventana, um pequeno vale de cristais, e as Jacuzzis naturais com direito a banho e almoço na pérgula! Eita, como foi bommmmmmm! Voltamos para o acampamento por volta das 16h, depois de percorrer (ou melhor, perfazer, porque correr mesmo não tem condições) o trajeto de 10 quilômetros em meio a muita diversão, pequenos tombos, risadas, alegria, lanches, poses para fotos e urros de satisfação e êxtase! Estávamos revigorados e felizes. Nesta segunda e última noite no topo o céu se vestiu de esplendor e veio nos visitar. Do interno da caverna que nos hospedava contemplamos a escuridão da noite alumiada pela luz das estrelas e brilho da lua que estava mais que cheia, quase transbordante!

No dia seguinte fomos despertados sob uma chuva torrencial e fizemos o desjejum preocupados como se daria a descida… O acampamento foi desfeito no horário previsto e como a chuva abrandou as mochilas de ataque foram colocadas nas costas e o caminho de volta foi retomado. Eu e meus dois companheiros de viagem tivemos outra sorte! Pudemos descer no helicóptero contratado por uma expedição de japoneses que se alojaria na nossa caverna! Foi a primeira vez que entrei num transporte aéreo do gênero. Além de pagar barato, pude desfrutar do sublime cenário das savanas venezuelanas vista do alto. Carícia de Deus? Entendo que sim e por isso Lhe sou muito grata! Nossa descida se deu em duas etapas que duraram cerca de 40 minutos, enquanto que nossos companheiros fizeram o mesmo trajeto em dois dias.

O melhor foi ter tido a felicidade de rever todo o grupo em Boa Vista. Que alegria poder dar o abraço de despedida antes de cada um regressar a sua casa.

Esta vida é assim mesmo: prepara-nos surpresas maravilhosas e cheias de encanto. As palavras acabam sendo inadequadas para exprimir o aprendizado que a convivência e o contato com este santuário ecológico proporcionou mas, sobretudo, a minha GRATIDÃO a todos que encontrei… Portanto:

Meu agradecimento cheio de carinho ao Magno e toda a equipe.

Meu reconhecimento e admiração ao Léo! Líder nato, ser humano especial, sensível, atencioso e competente.

Minha gratidão ao Everaldo, carinhosamente chamado Borracha. Ele nasceu para servir! Alegre, faceiro, encara a vida com simplicidade e descontração. Ficou a lição, amigo!

O um obrigada de coração aos queridos Teodoro, Raul, Antonio Marcelo e toda a turma. Embora recatados e de poucas palavras, vocês me ensinaram muito. Obrigada pela dedicação e serviço prestado.

Aos trilheiros: Andre, Pedro, Roseli, Dalva, Luiz Henrique, Castanho, Carlos, Luiz Ferraz, Sally, Kimsey and ‘Dad’, o meu imenso reconhecimento e gratidão pelos dias passados nas alturas. De algum modo eu quero permanecer lá!

Ao Edmar e Marcelo uma gratidão de alto nível. Vocês foram como irmãos!

A todos gostaria de dizer “até breve”, “até à próxima”!

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