RORAIMA ADVENTURES

Em agosto de 2009 vivenciei duas semanas de intensa angústia e melancolia. Por mais que tentasse seguir as orientações de Jean-Yves Leloup, com o propósito de “encontrar um sentido para o que não vai bem”, ou compreender as sábias palavras da doce cigana, Dulce Magalhães, para “observar os sinais e as possibilidades que se abrem”, a dor anímica e a desesperança se aprofundavam.

Respirar e respirar profundamente. Alongar e energizar os chakras foram meus exercícios diários para superação.

No entanto, novos encontros e sincronicidades me preparavam um novo momento pessoal: o reencontro com o amigo e guru Lúcio Camilo que iniciava, então, trabalho de assessoria de desenvolvimento pessoal com alguns colaboradores de minha empresa; o contato inicial com Márcia Lerinna que aceitou me apoiar em processo de autoconhecimento e na busca por mais consciência; e o aprendizado e a benção do Reiki. Duas semanas de ricas experiências, muitos exercícios de atenção e presença e nobres sentimentos, aparentemente tão antagônicos: medo e amor.

No início de 2010, em visualizações que praticava terapeuticamente, tive os primeiros sinais indicativos da aventura que me aguardava (e a um bando de seres esquisitos): batismo em uma grande queda d’água e caminhadas em trilhas íngremes e desafiadoras na direção do topo de uma montanha. O cenário e as paisagens foram sendo montados na leitura despretensiosa de uma revista de bordo, ao assistir um canal fechado de TV e ao me maravilhar com a estória do filme “UP – Altas Aventuras”. Tive meu último encontro de aconselhamento, em março de 2010, e recebi a indicação de que deveria marcar a passagem de meu aprendizado com algo inusitado para meu padrão de comportamento social. E a “Caravana dos Condenados a Amar”, que havia imaginado em maio de 2009, durante vivência na Escola SAT, tinha, enfim, seu roteiro definido: rumo à Salto Angel e ao Monte Roraima.

Quando iniciamos esta aventura, em julho de 2010, não tinha ideia de por quê esta jornada se inseria em minha vida, em substituição ao roteiro então agendado, para conhecer o “Sol da Meia Noite”, na Escandinávia (no verão europeu), dentre outros prazeres e confortos, agora adiados.

Tantas belezas cênicas e contemplativas. Tanta pureza e originalidade natural: Reserva de Canaíma – rios, selva e cachoeiras. Batismo no pé do Salto Angel (979 m de queda livre), conforme tinha visualizado em um trabalho espiritual em fevereiro passado. Jornadas em pequenos aviões e botes singrando rios na mata virgem. Tepuis (montes tipo “Table Montain”) sangrando água de suas paredes formando quedas majestosas. Banhos de cachoeiras, geladas e purificadoras;

Monte Roraima – caminhadas de 90 km em uma semana: subidas e descidas íngremes; sol, chuva, neblina e muito frio (e dores de cabeça lancinantes). Noites em barracas apertadas com chuva no teto (e muita umidade dentro). Necessidades fisiológicas em sacos plásticos, em barraca improvisada. Viver com a diversidade dos outros, a simplicidade dos índios taurepang e mais próximo de Deus. Caminhadas por trilhas desconhecidas, lamacentas e através de labirintos no topo do Monte. A lua cheia despontando no horizonte, ao som de violinos tocando a Ave Maria de Gounod; a energia e beleza do Vale dos Cristais; as esculturas lapidadas pelo vento e a chuva nas rochas formadas há 2 bilhões de anos, inspirando imagens de animais e pessoas; banhos no enigmático lago “El Fosso”, em banheiras “jacuzzi” naturais e em rios gelados.

Tantas coisas simples e profundas relembraram a natureza de meu ser. No entanto, permanecia ainda sem compreender a real motivação de tão fascinante aventura. Tornar a vida mais simples e profunda, talvez.

Noites de sonhos vieram nos dias seguintes ao retorno: imagens revividas e novas percepções espirituais. Em um deles, vi-me num buraco entre duas pedras, no alto no tepui, sem encontrar saída, quando ouvi uma voz aconselhando paciência e dizendo que assim que tivesse purificado meus relacionamentos, a jornada prosseguiria com mais significado e alegria.

Teilhard de Chardin, em sua obra prima, o livro “Fenômeno Humano”, aponta para a necessidade de um metacristianismo que contribuísse para a sobrevivência do planeta e da humanidade sobre ele. No cerne da questão está a visão filosófica, teológica e mística a respeito da evolução de todo o Universo, do caos primordial até o despertar da consciência humana sobre a Terra. Estágio este que, segundo ele, será seguido por uma Noogenese – a integração de todo o pensamento humano em uma única rede inteligente que acrescentará mais uma camada em volta da Terra: a Noosfera. A orientar todo esse processo, existiria uma força que agiria a partir de dentro da matéria, que orienta a evolução em direção a um ponto de convergência: o Ponto Ômega. Teilhard sustentava a idéia de um Panteísmo cósmico: a crença de que Deus e o Universo mantém uma criativa e dinâmica relação de progressiva evolução.

Em seu ensaio “Sobre a Felicidade”, Teilhard de Chardin intui que o homem, em seu processo evolucionário, pode vivenciar três estágios de felicidade: de crescimento (centramento sobre si), de amorosidade (centrar-se sobre o outro) e de adoração (sobrecentrar-se a algo maior). Para ser plenamente nós mesmos, dizia, nos achamos forçados a alargar a base de nosso ser.

Na cadeia da evolução da Humanidade, passados cerca de 55 mil anos do surgimento do ”Homo sapiens sapiens”, que nos trouxe aceleradamente tantos progressos materiais, científicos e tecnológicos, creio que nossa sobrevivência no planeta dependerá do surgimento de outra espécie sobre ele. Mais consciente sobre si, comprometida com sua transformação pessoal, com discernimento espiritual e gozando em sua plenitude sua potencial felicidade: o “Homo amor”.

Esta nova espécie humana, vibrando na energia sutil do amor – por si, pelo outro e pela Natureza – reconhecerá a real motivação de sua existência na Terra. E saberá que, antes de existir como ser e por toda a eternidade, sempre foi e será o amor. E que nosso destino, desde Alfa até Ômega, é o gozo da felicidade e da Paz originais e o direito de pertencimento ao Ser.

O “Homo Amor”, considerando sua nova forma de energia vibracional, semelhante à da luz, talvez, vivesse sob outras leis físicas e condições de espaço e temporalidade. Afinal, a Lei da Relatividade constatou que, à velocidade da luz, o tempo fica em suspensão. E todas as experiências se passam no aqui e agora, acentuando-se a qualidade da presença e consciência.

Novamente me acodem as imagens do Monte Roraima: do acampamento base, no sopé, vendo à esquerda, no Matepuy, a queda majestosa do Rio Kukenán (620 m, a terceira maior queda livre do planeta) e as nuvens encobrindo o seu topo; a encosta escarpada com vegetação densa e as “lágrimas” (duas pequenas cachoeiras) escorrendo de buracos em suas paredes, na porta de acesso ao templo de Makunaima, convidando-nos a entrar.

Oh, Deus! Por que vim até aqui? Serei capaz de subir esta montanha? Todos ficarão bem? E me lembrava das palavras do amigo Magno: “a subida se faz passo a passo, em estado de presença e reverência interior. Não valorize as carências; viva, com gratidão, cada momento e experiência que se apresentar na caminhada”.

Os físicos e matemáticos definiram fórmulas complexas e precisas que determinam a existência de “Buracos Negros” no Universo, já comprovados. Pontos de concentração elevada de matéria que, pela gravidade, atrai tudo à sua volta, impedindo até mesmo a luz de escapar de sua força. Outros cientistas definiram a possível existência de “Buracos Brancos”. Pontos de onde fluem luzes intermináveis. E especulam se a matéria que é atraída pelos “Buracos Negros” não seria a mesma que emerge nos “Buracos Brancos”.

Semi-desperto de mais um pesadelo, nesta fria manhã de agosto, reverencio o divino em mim, entregue às correntezas da Vida e no gozo de especial momento de paz e plenitude. Disposto a expor meu ego a todos os desconfortos, dores e tristezas que se apresentarem no caminho deste aprendizado, ávido por aprender novas lições. Confiante e desejoso por me integrar a incipiente Noosfera que se forma sobre a Terra, interligando os seres humanos neste despertar. Como partícipe da gênese de uma nova espécie que, mergulhando em seu interior e se abrindo para os relacionamentos, se torne a promessa daqui que já É.

Através do coração e por força de sua intuição ampliada, que o Homem, tomado de coragem, mergulhe em seu Vazio e se disponha a ser Nada. Surpreendendo-se ao emergir redivivo (renascido) no “Buraco Branco”, como “Homo amor”, e fazendo parte do Todo. Em algum ponto longínquo do Universo ou, talvez, ainda no Planeta Terra.

Pergunte ou Comente

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*
*

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Sobre Nós

RORAIMA ADVENTURES TURISMO LTDA

CNPJ: 05.276.517/0001-21

Fale Conosco

+55 (95) 3624-9611 (Horário Normal de Funcionamento)

+55 (95) 99115-1514 (WhatsApp Horário Normal de Expediente)

+58 416 794 2093 (WhatsApp 24 horas – Home Office)

+55 (95) 99115-4171 (Plantão Apenas Para Emergências)

+55 (95) 99111-0177 (Plantão Apenas Para Emergências)

Receba Promoções em seu e-mail

Curta Nossa Página

© Copyright Roraima Adventures | Turismo de Aventura
TRANSLATE SITE »